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Monday, December 15, 2014

Bar Alentejano - Montemor-o-novo 4,5/10


Em Montemor-o-Novo, um pouco às cegas, como convém a comensais aventureiros como nós, resolvemos saciar a fome num espaço desconhecido mas com um nome promissor. Quando estou no Alentejo, anseio por petiscos locais, boa carne de porco, migas apetitosas, borreguinho e outras surpresas. Como não sabíamos onde comer, tivemos a ideia de googlar potenciais restaurantes. E eu, na minha inocência, resolvi seguir opiniões alheias e escolhi o Bar Alentejano, mesmo depois de termos passado por outro restaurante com um menú muito apelativo. Foi o primeiro aviso...Assim que entrámos no Bar Alentejano, de ambiente escuro mas agradável, com tecto em madeira e uma decoração rústica, ficámos uns 8 minutos à espera junto ao bar da entrada, sem que alguém se desse ao trabalho de verificar se havia clientes. Segundo aviso...Assim que nos sentámos, a senhora indicou-nos os pratos: bifanas, lombinhos de porco grelhados, migas, bife à cortador e mais um prato qualquer completamente incaracterístico. Já não bastava o menú super curto, as próprias opções eram uma grande treta! Não há outra maneira de o dizer! Terceiro aviso...Red alert! Red Alert! Ai, a vontade que me deu de me levantar e dizer adeus...Escolhemos os lombinhos e as migas. Perguntámos se tinham vinho a copo. Não. Perguntámos se tinham meias garrafas. Não. Perguntámos se havia cerveja sem álcool. Não! Nem sequer nos informou se havia entradas e nós nem perguntámos, tamanho era o banho de água fria. É detestável quando as primeiras respostas aos pedidos de um cliente é "Não temos". E coisas tão básicas... Fico logo desanimada. Mas enfim, inspirei bem fundo e pensei..."Não vale a pena cansar a minha beleza com estes detalhes. Pode ser que a comida seja tão boa, que eu esqueça o começo pouco auspicioso". Entretanto atacámos o couvert. Pão, azeitonas medianas e as manteigas da praxe. De seguida a senhora levou para a mesa duas doses generosas de migas com rojões e entrecosto e os lombinhos de porco com batatas fritas e arroz aromatizado com hortelã. E uma saladinha de pepino e tomate. E como estava tudo? As migas, de alho, estavam sobrecarregadas com o mesmo. Uma coisa é comer migas com uma dose equilibrada de alho em que se nota bem a sua presença, e posso dizer-vos que eu adoro alho, mas outra coisa é migas com doses industriais de alho mal cozinhado, ainda meio rijo. Fiquei o resto do dia, desculpem a expressão, a arrotar a alho. Fiquei completamente KO. Tanto o entrecosto como os rojões estavam demasiado cozinhados, completamente secos. Fiquei na dúvida se teriam sido feitos naquele dia, é que a carne, de aspecto, parecia requentada. Pode ter sido do excesso de cozedura, quem sabe? De qualquer forma foi muito mau. E os lombinhos? O oposto. Ficaram mal cozinhados. Havia partes da carne que estavam, a meu ver, excessivamente rosadas e eu nem lhes toquei. As partes comestíveis, eram tenras e suculentas. As batatas fritas estavam acastanhadas, demasiado fritas. A saladinha era boa, muito bem temperada, o melhor da refeição, já que não lhe posso apontar qualquer defeito. No fim, partilhámos um toucinho do céu agradável mas não memorável. Quanto ao serviço, demoraram demasiado a receber-nos e esperámos bastante tempo para que viessem à nossa mesa para receberem o pedido da conta. Aliás, nem sequer vieram. Tivemos que nos levantar e dirigir até ao bar da entrada para procedermos ao pagamento. Resumindo, o atendimento foi descuidado, e para um cliente que nem sequer ficou satisfeito com a comida, um detalhe como este mói um bocado o juízo. Combinámos não voltar, apesar do "convite" para regressarmos numa próxima oportunidade. Não obrigada! Como diria o meu companheiro de mesa,"Não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão". Devem ter reparado que esta crítica gastronómica não tem fotos como é habitual. Por vários motivos. Não levei a máquina digital, o restaurante era muito escuro e eu só tinha o telemóvel, cuja qualidade fotográfica é discutível. Mostro-vos no entanto, a factura da refeição como comprovativo da nossa presença. Até breve!

Tuesday, July 9, 2013

Taverna dos Conjurados 8,8


Por terra alentejanas, os comensais do costume, visitaram a simpática Vila Viçosa. Aproveitámos para conhecer um bocadinho a vila enquanto andávamos à cata de um poiso onde comer. Após vários menus pouco alentejanos ou simplesmente desinspirados, o Mr. Fofo, com o seu faro guloso, decidiu ser "A Taverna dos Conjurados" a melhor opção. E abençoada seja! É um espaço calminho e agradável com poucas mesas, onde fomos muito bem recebidos. Fomos prontamente atendidos por um jovem empregado cuja actuação durante a refeição foi correcta, rápida e eficiente. O meu parceiro de mesa escolheu para entrada dois queijinhos, um de cabra com doce de framboesas (ou outro fruto do género, já não me lembro exactamente, só sei que soube bem para caramba) e outro de ovelha com mel e amêndoas. Ambos deliciosos e fomos informados de que eram produtos locais! Muito bem, é assim que gostamos. Em Roma sê romano! É algo que gosto particularmente, um restaurante que serve aos clientes bons produtos da zona. De seguida veio para a mesa um prato de bacalhau que, ao princípio, me parecia ser bacalhau com natas. Levava cenoura ripada, batata palha, as natas cremosas e o que nos pareceu ser arroz. Seria uma especie de risotto? Ficou a dúvida. Era saboroso quanto baste mas nada de memorável. A estrela da refeição viria de seguida. As costoletas de borrego, grelhadas no ponto, tenras e suculentas, temperadas com alecrim. A acompanhar, umas deliciosas migas de espinafre. Cremosas, bem ligadas, com um toque suave a alho e os espinafres a dar graça. Muito boas. Foram as melhores migas da viagem. Nota negativa para as batatas fritas que tinham um travo a óleo que precisava de ser renovado. Para sobremesa, uma mousse de chocolate caseira que apenas pecava por ser demasiado açucarada. Se antes eu gostava de chocolate carregado de açucar, agora prefiro teores de cacau superiores e menos açucar. Deve ser dos cabelos brancos que já começam a aparecer apesar da minha imensa jovialidade. Devo salientar a simpática presença do anfitrião, o dono do restaurante, que nos recebeu muito bem, falou do seu restaurante com amor e carinho e nos apresentou de forma apaixonada o vinho da casa, de fabrico próprio, pertença da sua família. Se passarem por Vila Viçosa, façam-me o favor de visitar este restaurante. Pessoalmente, gostaria de lá voltar, até porque li algures, e supondo que a informação ainda é fidedigna, entre Novembro e Dezembro a ementa tem pratos de caça aos fins-de-semana onde podem provar coelho e pato bravo ou veado.