Tuesday, October 9, 2018
Delícias do Algarve - Muxama
Como estou virada para petiscos algarvios, alguns que já planeava mencionar há imenso tempo aqui no blog, apresento-vos a muxama. Ou mojama, neste caso, já que a da foto foi feita em Espanha. Em Portugal, Vila Real de Santo António, as conservas Dâmaso ainda produzem muxama. É lombo de atum salgado e seco. Uma espécie de presunto do mar. 🐟😋! Deve ser consumido em fatias bem fininhas. Se quiserem fazer uma refeição temática, tipicamente algarvia, sirvam muxama fatiada, seguida de conquilhas e estupeta de atum, carapaus alimados, e terminam com uma valente barriga de atum grelhada! Ai ai ai! Perfeição! AH...que sacrilégio, já me ia esquecer! E para sobremesa, torta de alfarroba! 😁
Carapaus alimados
Cucu! Estamos de volta com uma receita algarvia que aprecio bastante. Aprendi a fazer com a minha mãe e é um petisco bom para o tempo quente que teima em não nos deixar! Embora seja fácil de fazer, requer alguma paciência e tempo. O peixe é salgado de véspera e tem de ser arranjado depois de cozido. Mas vale bem a pena! É muito saboroso.
Ingredientes:
Carapaus pequenos/médios
Sal
Azeite, alho e cebola
Água da cozedura dos carapaus
Preparação:
Eu comprei os carapaus já arranjados, por uma questão de hábito. Mas podem salgar o peixe inteiro. Numa tigela funda, coloquei os carapaus em camadas, cada uma bem coberta de sal. Deixei o peixe no frigorífico durante a noite, aprox. 12h, mas pode ser mais, conforme a hora da refeição em que os vão servir. Retirei o peixe do frigorífico e lavei o mesmo com água corrente até sair o sal todo. Enchi a tigela com água e deixei o peixe de molho durante 30 minutos. Levei um tacho ao lume e deixei a água levantar fervura e coloquei o peixe a cozer. Assim que ficou pronto, com uma escumadeira, retirei o peixe para uma tigela com água fria e deixei arrefecer. Reservei a água da cozedura. Assim que os carapaus arrefeceram o suficiente, e com delicadeza, retirei a pele, a espinha lateral e a interior e removi os lombinhos de peixe, colocando-nos numa travessa. Reguei com azeite, umas colherinhas de sopa da água de cozedura e juntei alho laminado, dispondo o peixe em camadas, indo sempre temperando e colocando o alho entre as camadas. Eu também gosto de adicionar cebola em lascas bem finas. Podem colocar o peixe no frigorífico para ficar bem fresquinho ou consumir à temperatura ambiente, acompanhado de batatas cozidas. Não se esqueçam de molhar bom pão no azeite! Se fizerem a receita de véspera, é ainda melhor, o azeite adquire o sabor do alho e do peixinho! É uma delícia! Espero que gostem!
Delícias do Algarve - Mormos e barriga de atum
Se estiverem no Algarve ou planearem uma viagem, não se esqueçam de provar barriga de atum grelhada ou mormos de atum (o equivalente ao cachaço). Tanto a barriga como os mormos são absolutamente gloriosos! Uma delícia! A carne é muito saborosa e suculenta e solta-se em lascas bem firmes e tenras! A foto mostra uma barriga de atum grelhada em ponto de perfeição e confeccionada no restaurante Americana em Tavira. Os mormos de atum podem ser comprados na praça de Vila Real de Santo António.
Wednesday, July 4, 2018
Chocolate mud cake
Por vezes dá-me uma vontade doida de experimentar receitas famosas de outros países. Ultimamente tem sido doces. Fiz o red velvet cake, que infelizmente já não vou poder colocar aqui porque perdi a receita juntamente com o meu télé...😭. Agora foi o chocolate mud cake! Até o nome me agrada! Lama....hmmmm....soa a chocolate em doses industriais....bolo espesso...super maçudinho e necessidade de emborcar uma caneca de leite para empurrar! Realmente é estas coisas todas. E o sabor é muito agradável. Gostei bastante da consistência! É húmido e super denso, o oposto do Chiffon, que é uma esponjinha . A receita, que não é minha, tirei deste site e converti as medidas para ser mais fácil vocês fazerem. Devo confessar que me assustei com a quantidade de açúcar que a receita leva! 2 1/2 cups de açúcar são 500 gr de açucar! E só agora me apercebi! ihihih. Enfim, este bolinho não é para comer todos os dias. 😅 Alterei o tempo de cozedura! Devo avisar que o meu forno é marado e 140º devem equivaler a 180º. Eu cozi o meu em 50 minutos, tapado com alumínio, a 180º. No site falam em 2 horas a 140º! No forno que uso, ficava carvão!
Para facilitar fazerem receitas com medidas como cups ou tbsp, hoje em dia já se encontra facilmente à venda utensílios medidores (ver foto 3). Comprei dois conjuntos para medir cups no Continente e numa loja chinesa. As colherinhas tbsp/tsp para medir colheres de sopa e chá, encontram na Pollux em Lisboa. E também vos recomendo uma aplicação muito útil para o vosso telemóvel. No Google Play podem comprar o Kitchen Math. Custa meio pataco e permite coverter inúmeras medidas de acordo com diferentes ingredientes.
Ingredientes:
250 gr de manteiga
500gr de açúcar (metade branco/metade mascavado)
250 gr. de chocolate de culinária Pantagruel
2 colheres de sopa de café instantâneo dissolvido em 1,5 de água (usei mistura de 40% café e chicória Bellarom do Lidl)
125gr. de farinha sem fermento
125gr. de farinha com fermento
45gr. de cacau Pantagruel
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
4 ovos
2 colheres de sopa de óleo
1,5 dl de leite
Açúcar baunilhado
Preparação:
Para cozer o bolo, eu usei uma forma com chaminé bem barrada com manteiga (ver foto 3).
Num tacho, levei ao lume a manteiga com o açúcar, o café dissolvido e o chocolate até este último derreter. Não se preocupem se os ingredientes não ficarem perfeitamente envolvidos, pois têm tendência a separar. Desde que o chocolate fique derretido, não há problema. E o açúcar mascavado custa a dissolver mas também não faz mal se ficar meio granuloso. Deixei o preparado em repouso enquanto tratei dos restantes ingredientes. Numa tigela alta e larga, peneirei as farinhas, o cacau e o bicarbonato de sódio e o açúcar baunilhado. Noutra tigela, juntei os ovos ao leite e o óleo e bati muito bem com vara de arames. Juntei a mistura à farinha e bati novamente. Adicionei metade do preparado de chocolate e café e voltei a bater bem. Juntei o resto e misturei até ficar uma massa lisa sem grumos. Deitei na forma, tapei com papel de alumínio e cozi durante 50 minutos a 170-180º aprox. Eu servi o bolo sem cobertura mas podem fazer um creme de chocolate e cobrir o bolo. Espero que gostem!
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| Foto 3 |
Thursday, May 10, 2018
Sr. Lisboa 6,7/10
Caros leitores, volto com a crítica gastronómica! Desta vez um restaurante de Lisboa, onde raramente me aventuro. No entanto, tive um bom motivo para lá dar um pulinho, pois tinha a acompanhar-me a minha mana. Foi um dia muito bem passado! Caminhámos bastante e foi agradável rever a cidade em conjunto! Claro que as duas caminhantes, cansadas da jornada, foram obrigadas a certa altura, a procurar um poiso onde retemperar energias. Confesso que andámos à procura de outro restaurante onde já tínhamos ido no passado. Mas com os preços inflacionados, talvez devido à nova localização, perto da Avenida da Liberdade, assustámo-nos e fomos dar com este cantinho simpático, o restaurante Sr. Lisboa. O ambiente é muito agradável. Achámos particular piada às mesas com tampo em vidro transparente e por baixo grades e bicos de fogão. Ficámos numa mesa perto do balcão, junto a umas prateleiras com vários produtos, entre os quais, cerveja Dois Corvos. Fiquei com uma tremenda pena de não venderem os garrafões em vidro com a dita cerveja. Em relação à comida, resolvemos pedir vários petisquinhos: o frango crocante com molho de manga picante, o camarão crocante, o crumble de farinheira, as bochechas de porco preto em vinho tinto e alecrim, as migas do fradinho e a batata rústica. Para beber, cervejinha fresca! Servida em mini canecas! Achei adorável! A comida? Agradável mas tem muito espaço para melhorar. O frango crocante são panados de frango, perfeitamente normais, estavam sequinhos e com um molho de manga picante. Não gostei do molho. Se não soubesse que era de manga, também não adivinhava. Não sabia minimamente ao fruto, nem sei descrever o sabor. E o picante era quase nulo. O camarão crocante tinha uma massa em tiras a cobri-lo, que suponho ser aletria? A massa estava crocante q.b. mas o camarão estava excessivamente cozinhado. Molengão! A textura desagradou-me, embora o sabor fosse agradável. O crumble de farinheira foi o petisco eleito como o melhor. Tinha pedaços de farinheira, broa, um ovo escalfado e doce de abóbora. Estava bem preparado, nada gorduroso, docinho devido à abóbora e combinava tudo muito bem! As bochechas estavam tenrinhas. Geralmente sou fã de bochechas de porco (e vaca também mas é impossível arranjá-las hoje em dia ). Quando bem preparadas, desfazem-se na boca. E largam uma gordurinha irresistível, meio gelatinosa, que ajuda a engrossar o molho do estufado. O molho que veio com as bochechas nada tinha nada de espesso. Era bem líquido, escuro, devido ao vinho tinto. Acho que não beneficiou as bochechas. E prefiro menos alecrim. Das migas do fradinho não gostei. Muito secas! Sim, também já comi migas bem gordurosas! Mas nem 8 nem 80! Até custava apanhá-las com o garfo. Era pão seco com feijão-frade, couve e onde estava o azeite? O tempero também não aqueceu nem arrefeceu. A batata rústica estava satisfatória. Mais uma vez, o tempero não brilhou. As maioneses eram agradáveis embora os coentros ou o manjericão pouco se notassem. Não fiquei maravilhada porque eu faço maionese com frequência e maionese a sério, é amarela! Devido à gema de ovo. Aquela era mais esbranquiçada e com um paladar fraquito. E depois disto tudo parece que não gostei de nada. Não é bem assim! Gostei de lá almoçar. Da cervejinha fria, das canecas, do atendimento e a comida é agradável mas com bastantes falhas que podem ser rectificadas. Aceito que no caso das bochechas foi mais uma questão de gosto pessoal e não seja necessário mudar nada. Mas os camarões molengões? E as migas excessivamente secas e sem personalidade? Ou um molho de manga que sabe a tudo menos a manga? Se voltava lá? Sem problema! Há muito mais para experimentar e fiquei curiosa com outros petiscos. Vamos lá à pontuação!
Monday, April 30, 2018
Pastéis de massa tenra
Há imensos anos que não comia pastéis de massa tenra e penso que esta foi a primeira vez que os fiz. Tenho outra receita aqui no blog, feita pelos meus irmãos, mas é uma variante, já que foram cozidos no forno, em vez da fritura. Lembro-me dos pastéis que a minha mãe fazia e foi com a intenção de os reproduzir que fiz o petisco. Apesar de ter acompanhado a minha mãe na cozinha por muitos e bons anos, esta receita não ficou no meu livrinho, talvez porque a certa altura ela deixou de a fazer e eu esqueci de lhe pedir. No entanto, a grande pasteleira da massa tenra foi a minha avó! Assim contam os meus irmãos. Eu não me lembro, era demasiado pequerrucha mas pelo menos serviu como orientação. Porque me ajudou a optar por uma receita da massa que incluísse banha. Pois na altura não se usava manteiga como se usa hoje em dia. Posso dizer-vos que saíram uns belos pastelinhos! Até a massa ficou com aquelas bolhinhas típicas da fritura. Bem bonitinhos. Eu fiz o recheio que a minha mãe usava em quase tudo o que era pastel de carne, mesmo nos folhados. Recheio de carne de vaca e chouriço. Neste caso foi recheio de vaca, porco, frango e chouriço. Porque sobrou carnes cozidas do nosso habitual cozido à portuguesa de Páscoa e eu aproveitei para os pastéis. Piquei as carnes na picadora e o chouriço também. Fiz um refogado com alho e cebola, deixei apurar, juntei a carne, reguei com caldo de frango, temperei com pimenta branca, pimenta preta e pimentão-doce, e salsa. Deixei o recheio ferver e secar bem na frigideira, ao ponto de não largar caldo e não ficar excessivamente seco. Vou dar-vos a receita da massa, que me saiu muito bem e vale a pena guardar!
Ingredientes:
500 gr. de farinha sem fermento
40 gr. de banha
30 gr. de margarina
3 colheres de sopa de azeite
sal q.b.
Água
Preparação e algumas dicas:
Coloquei a farinha num alguidar e juntei a banha e a margarinha partidas em pedaços pequenos, assim como as colheres de azeite e o sal. Com as palmas das mãos, esfreguei as gorduras na farinha até ficarem bem envolvidas e a farinha parecer areia. Juntei água aos poucos, até tudo começar a formar uma bola, ao ponto de se despegar das paredes da tigela. A massa deve ficar elástica e não peganhenta. Daí a importância de irmos adicionando a água. Amassei muito bem a massa com os punhos, e fui atirando a massa com força para dentro do alguidar. Voltei a amassar vigorosamente, a pegar na massa e a atirá-la várias vezes para o fundo da tigela. O resultado foi uma massa lisa e elástica. Tapei a bola de massa com um papel de cozinha e tapei o alguidar com um pano húmido. Ficou a repousar durante uma hora. Moldei os pastéis e fritei-os em lume médio. Não convém o óleo estar muito quente, ou num bico de fogão muito potente. Há o risco de fritarem demasiado rápido e ficam castanhos por fora e mal cozinhados por dentro. Os pastéis têm tendência a boiar no óleo. E criam bolhas de ar enormes se não forem bem mergulhados no mesmo. Assim que eu punha os pastéis no óleo, empurrava-os delicadamente com uma escumadeira para que ficassem mergulhados. Começavam a criar pequenas bolhinhas como as da foto, em vez da bolha gigante que criam quando ficam a boiar. Depois de os pastéis criarem essas bolhinhas, já pude fritar sem ajuda da escumadeira, sendo só necessário ir virando. Se tiverem alguma dúvida, estou aqui para vos ajudar! Bom apetite!
Wednesday, April 11, 2018
Tigelinhas de noz pecan
Hoje trago-vos tigelinhas de noz pecan porque recentemente provei este tipo de noz e descobri que gosto mesmo muito. Têm um sabor intenso, quase caramelizado! E esta receita, tirada da teleculinária, era algo que a minha mãe fazia quando eu ainda era pequerrucha e que ficou na minha memória. A receita original é feita com amêndoa e é deliciosa! Mas eu tinha noz pecan à mão e devo dizer que o resultado também foi muito bom! A receita dá para 8 tigelinhas como as da foto. Aviso que esta sobremesa é muito doce! Eu vou reduzir a quantidade de açúcar da próxima vez mas aqui no blog dou-vos a receita original.
Ingredientes:
500 gr. de açúcar
8 gemas
Meia chávena de doce de chila (usei aprox. 125 gr.)
100 gr de amêndoas/nozes (metade moídas, a outra metade picadas grosseiramente e torradas)
1 chávena almoçadeira de água (2,5dl)
Canela em pó
Preparação:
Na receita original dizem para escaldar as amêndoas e pelá-las. Eu gosto da casca, portanto saltei esta parte. E de qualquer forma, hoje em dia, já se compra as amêndoas peladas...
Mesmo assim vou reproduzir o texto, como vinha na revista Teleculinária:
"Escalde as amêndoas, retire-lhes a pele e seque-as. Passe metade pela máquina de picar e pique e torre a outra metade. Deite num tacho o açúcar e uma chávena almoçadeira de água. Tape, leve ao lumee quando começar a ferver, retire a tampa, deixe ferver 3 minutos e retire. Quando estiver quase frio, misture-lhe as gemas, o doce de chila e a amêndoa moída e leve ao lume sem parar de mexer no fundo do tacho com uma colher de pau, até ferver. Deixe ferver 20 segundos, retire e deite em tacinhas. No momento de servir, espalhe por cima a amêndoa picada e a canela."
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